Flor que venceu o rigoroso inverno

14:24:00



Para S. 
Projeto Palavras que Abraçam


Ela ainda se sente só, vê a solidão como única companhia, lembra constantemente de tudo que aconteceu há quase cinco anos, e as memórias são cicatrizes que marcaram sua pele como tatuagens de borboletas azuis, e por mais que corra atrás do que é certo, o ruim que fez ainda a persegue, mesmo que em forma de problemas imaginários, e o pior, o mal que lhe presentearam faz parte de sua realidade amarga que carece de doces momentos para distraírem seus olhos do furacão.

Eu não seria capaz de culpa-la, nem de dizer que suas escolhas que a levaram e trouxeram do abismo tantas vezes. O que posso dizer é que quem deveria consola-la não foi capaz, ela era mais uma humana que precisava de amor de mãe, abraço de pai, carinho de irmã, beijo de namorado e compreensão de amigos, mas se viu em um labirinto onde a deixaram a própria sorte para decidir o que seria melhor para si mesma.

Sua alma não recebeu os devidos cuidados, ela procurou por paz e alivio e o achou nos lugares errados. Havia dois caminhos a sua frente e ninguém capacitado ao seu lado para segurar em sua mão e dizer: “Vamos por ali, menina. E não se preocupe, vou te proteger caso algo ruim lhe aconteça”.

Estavam tão preocupados com suas vidas que a deixaram fora de seus planos. Ela tinha apenas a si própria para seguir em frente, tinha que ser seu porto seguro, sua moradia, seu apoio e sua liderança, e confusa vagou em busca de algo capaz de salva-la de toda a dor do abandono que lhe provocaram.  

Ela foi o que não queria ser, fez o que não queria fazer, e no fundo não se sentia orgulhosa por isso, apenas dizia que estava tudo bem apesar de tudo e que talvez um dia conseguisse ficar feliz sem precisar de bebidas para sorrir alto, de entorpecentes para ver seu coração calmo, de pessoas erradas para não se sentir tão errada sozinha, e digo logo que ela não necessita de nada disso para ficar bem, então, por favor, menina, abandone essas cosias que só te fazem mal. Ela só precisa de um amor sincero que seja capaz de muda-la por completo e a deixar viva pela primeira vez.

Essa menina não é covarde. Seus erros foram feitos por vontade de acertar. Ela era jovem, não tinha muitas ideias do que fazer e escolheu o que pareceu o melhor no começo. Porém depois viu que sua felicidade estava baseada em estruturas fracas que iriam ruir com qualquer ventania, porém ninguém se importava o bastante para erguê-la do chão, leva-la nos braços para um refugio e dizer a ela qual o proposito da sua vida, que ela além de linda do seu jeito era importante, que seus sofrimentos iriam acabar logo, que o Sol voltaria a brilhar e que tudo finalmente daria certo.

Ela estava de coração ferido e com medo de prosseguir com tantos fantasmas a perseguindo. Estava diferente, tentando acertar, então lá vem o seu passado e lhe diz que ainda não acabou, e dá um tapa em sua cara e joga no chão novamente, mas ela é forte, levantou, sacudiu a poeira e gritou que não era o seu fim, tinha que continuar por mais triste e decepcionada que estivesse com quem devia ama-la.

Apesar de já ter experimentado tudo que diziam que a fariam bem, hoje ela sabe as mentiras que lhe disseram em troca de pequenos prazeres. Digo a ela para ter cuidado, porque podem tentar derruba-la outra vez, porém digo também que ela é mais forte do que pensa, que pode ser feliz e que deve isso a si mesma, que não foi feita para a monotonia e um vazio sem sentido, tem meios de ser feliz com o que é e com o que tem, é só ir aos poucos indo embora da casa do Passado, deixar as malas prontas e marcar seu próximo destino.

Felizmente ela está disposta a ir atrás do seu sorriso. E o mais importante, percebo que ela está com vontade de se sentir livre do peso que carrega, e digo a essa menina que ela não é o seu passado. Ela não é qualquer uma, seu valor é inestimável, sua importância é sem igual, e seu jeito de ser antigo não pode definir a boa pessoa que ela pretende ser futuramente.
Ainda se sente vazia, sozinha, infeliz, inquieta e morta porque suas dores são incapacitantes, e as feridas rasgaram fundo. Quando tenta ir em frente algo a puxa de volta e ela fica estancada no que era, porém força de vontade não parece lhe faltar, ela é determinada, parece não ter medo do mundo cruel que a cerca, e vejo uma luz no meio da escuridão onde ela se esconde.

Ela vai ficar bem, porque vai entender que o que ela foi e o que fez já acabou, há muito tempo sua fase ruim já passou, o que falta é acreditar nisso, porque não adianta a vida lhe dar uma nova chance se ela se recusa a se libertar do seu passado. Está tão acostumada a ser ferida que quem tenta cuidar dela é visto como impostor, e ela não consegue sentir nada, apenas que será infeliz outra vez, porém dê uma chance para quem está disposto a lutar por ti, pode ser chato no inicio, mas vai acabar se surpreendendo.

Menina, lembre-se disso: você chegou até aqui apesar de todas as probabilidades dizerem que você já devia ter desistido. E mesmo se ninguém confia em você e não acredita que você possa ser alguém incrível, isso não quer dizer que deve aceitar a derrota. Você foi jogada num mar bravio e teve que aprender a nadar sozinha, e ainda lutar contra a tempestade, e chegou na areia da praia cansada, porém está viva.


Vá deixando por aí tudo que te prende na dor passada. Pense só no que pode dar certo, abandone o pessimismo. Você é uma flor que venceu o rigoroso inverno, então é sua hora de agradecer a primavera e abraçar o Sol que nasceu só para você.  

Escrito por: Tatielle Katluryn

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